FUTSAL DE CABO FRIO COMEMORA 30 ANOS - DA FUNDAÇÃO DA LIGA ATÉ A LIGA NACIONAL - PARTE 30
Este ano ainda sofreu o impacto dos acontecimentos de 1995, quando uma ata da Liga foi derrubada, culminando na renúncia de diretores e do presidente da Liga. O episódio gerou um clima de insegurança e comprometeu a credibilidade que havia sido construída ao longo de nove anos.
A Taça Cabo Frio e o Campeonato Municipal, que tinham como marcas o planejamento e a organização — sendo aguardados anualmente pela sociedade —, estiveram, pela primeira vez, ameaçados de não acontecer. Como a diretoria pediu renúncia em virtude do episódio ocorrido em 1995, o primeiro passo foi a formação de uma nova diretoria; somente após essa definição seria possível realizar as competições.
Após alguns meses, conseguiu-se formar uma nova diretoria. O presidente, Sr. Rogério Sarti, já havia assumido o cargo em setembro de 1995. Diante da demora na solução do problema, ficou decidido que não seriam realizados a Taça Cabo Frio nem o Torneio Início; apenas o Campeonato Municipal seria promovido, em todas as categorias. Ainda assim, esse campeonato foi adiado diversas vezes.
Essas incertezas afetaram significativamente o público e também as empresas que tradicionalmente patrocinavam a competição. As equipes enfrentaram dificuldades até mesmo para firmar parcerias, algo que, em anos anteriores, não ocorria.
Após esses episódios negativos serem contornados, o campeonato teve início em maio. Participaram da competição as equipes da A. A. Cabofriense (campeã em 1995), Tamoyo E. C., Parque Burle, União e Ferlagos.
Para a fase final, classificaram-se as equipes da A. A. Cabofriense e do Parque Burle. Ao término dos jogos, a A. A. Cabofriense sagrou-se campeã de 1996, conquistando, assim, o tricampeonato (1994/1995/1996) e acumulando cinco títulos ao somar também as conquistas de 1991 e 1992.
Cabe ressaltar que, naquele ano, foi realizada pela primeira vez uma competição denominada I Circuito de Futsal, na categoria Infanto. Essa iniciativa veio preencher uma lacuna existente havia bastante tempo. Durante aqueles nove anos, as competições de base atendiam atletas de até 15 anos, enquanto a categoria juvenil contemplava, a princípio, jogadores a partir dos 18 anos. Dessa forma, os jovens de 16 e 17 anos ficavam sem uma categoria específica. Nesse primeiro circuito, a equipe do Tamoyo E. C. sagrou-se campeã.
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Equipe Infanto do Tamoyo E. C. campeã em 1996
em pé da e/d Everaldo (treinador), Marreco, Pablo, Marcelo Dusi e Tadeu
agachados e/d Fábio, Weverton, Serginho e Mike
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Em 1994, quando estivemos na cidade de Venâncio Aires representando o Estado do Rio de Janeiro com a seleção de Cabo Frio, ficamos surpresos com a quantidade de ginásios poliesportivos com dimensões oficiais existentes na cidade — muitos deles, inclusive, dentro de escolas. Comentávamos, em tom de brincadeira, que dava vontade de “pegar um e levar para Cabo Frio”.
Qual não foi nossa surpresa ao sabermos que estavam sendo tomados procedimentos justamente para a concretização desse sonho: a construção de um ginásio poliesportivo em nossa cidade. Todos ficaram alegres e empolgados com a notícia. Fomos, inclusive, a uma empresa em Santa Teresa, especializada em projetos de ginásios poliesportivos.
Com o passar do tempo, já na reta final do processo, nos deparamos com um cenário eleitoral delicado: de um lado, o então Deputado Estadual Alair Corrêa; de outro, o então Prefeito José Bonifácio — duas personalidades importantes na história política de nossa cidade. Como resolver esse impasse? Sabíamos que o momento era sensível, mas não podíamos deixar escapar a oportunidade de realizar o sonho de tantos desportistas.
Decidimos então formar um movimento apartidário, voltado exclusivamente para a construção do ginásio. Lembro que nos reuníamos uma ou duas vezes por semana no Hotel Nanuque, em plena alta temporada de verão. Mesmo após dias exaustivos de trabalho, fazíamos questão de participar das reuniões. O esforço valia a pena.
Após diversas sugestões, ficou decidido que abriríamos diálogo tanto com Alair Corrêa quanto com José Bonifácio. O Sr. Barreto e o Sr. Eliseu Pombo representariam o movimento nesse primeiro momento. Conversávamos com um, ouvíamos suas opiniões e sugestões; depois fazíamos o mesmo com o outro. Porém, após muitas tentativas, não conseguimos uma solução que atendesse ambos os lados e, principalmente, os interesses do esporte. Diante disso, decidimos promover ações capazes de sensibilizar a sociedade, as entidades esportivas e órgãos importantes da cidade.
Em uma das reuniões, o Sr. William, então presidente da Federação de Handebol, sugeriu que o movimento fosse chamado Esporte Sem Teto. A proposta foi aprovada por unanimidade. Também foi aprovada a realização de um grande evento na Praça Porto Rocha, envolvendo atletas de diversas modalidades, cada um realizando atividades representativas de seu esporte. Paralelamente, voluntários recolheriam assinaturas para um abaixo-assinado a ser entregue à Câmara de Vereadores.
Foram produzidos prospectos informativos, e várias entidades esportivas — ligas, federações e confederações — além da OAB e da Paróquia Nossa Senhora da Assunção enviaram documentos solicitando apoio à construção do ginásio. Tivemos ainda uma importante adesão: o professor Renato Azevedo, além do craque Romário, que também apoiou o movimento.
Após todas essas ações, conduzidas de forma respeitosa e sem radicalismos, entregamos ao presidente da Câmara, Sr. Acyr Rocha, um abaixo-assinado com 1.321 assinaturas. Solicitamos também o uso da recém-criada Tribuna Livre da Câmara. Fomos os primeiros a utilizá-la: o professor Renato Azevedo falou representando a Liga Cabo-friense de Futebol de Salão, e o Sr. Eliseu Pombo representou a Liga Cabo-friense de Handebol.
Na véspera da sessão que definiria a construção do ginásio, realizamos uma reunião no Tamoio Esporte Clube com vereadores ainda indecisos e representantes do esporte. Ao final, todos se comprometeram a votar favoravelmente. E assim aconteceu — apenas o vereador Aires Bessa não votou, por não comparecer à sessão. Foi uma grande vitória para o esporte de Cabo Frio.
Os candidatos a prefeito prometeram que, se eleitos, dariam continuidade à obra (que já havia sido iniciada pelo prefeito José Bonifácio). No entanto, a realidade foi outra: a construção ficou paralisada de 1997 até junho de 2004. Somente no segundo semestre de 2004 as obras foram retomadas.
Durante esse período, uma geração de atletas — crianças, adolescentes e jovens —, assim como diversas modalidades esportivas, não teve a oportunidade de vivenciar uma evolução esportiva consistente nem de participar de um projeto socioesportivo estruturado.
Somente em 2005, com a criação do PROESPA (Projeto de Esportes Amadores), desenvolvido por diversos desportistas comprometidos com a valorização do esporte, é que a prática esportiva passou a receber o respeito e a reconhecimento que lhe eram devidos.
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